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por cm30ativo, em 31.08.06

ALENTEJO 1

   

   

   

        

  

 

É Alentejo - mas não é bem Alentejo. Tem traços da Beira, outros do Ribatejo. É menos plano, mais verde, menos amplo, mais variado. Habitado por um povo de falar ainda mais marcado, o Alto Alentejo, hoje distrito de Portalegre, cobre o termo do que foram as terras de Avis, esse espaço imenso e pouco povoado que D. Afonso II situava entre Santarém, Coruche, Évora, Elvas e Abrantes. Terra de transição, nela ainda encontramos os espaços abertos e muito levemente ondulados da peneplanície alentejana a par com relevos vigorosos como os da serra de São Mamede. Conforme caminhamos para norte, os campos cerealíferos de Campo Maior, onde ainda domina a grande propriedade, vão dando lugar a hortas, vinhedos e olivais que se dividem por muitos donos e se dispõem em mosaico numa paisagem de morros mais marcados e vales mais cavados. Os povoados, antes de um branco luminoso e quase violento, tornam-se mais sombrios, o granito substitui, como material construtivo, o xisto e o adobe, e a pedra nobre surge à vista, aparelhada e robusta. Nos campos, as árvores do sul, sobreiro e azinheira, dão lugar aos carvalhos de folha caduca, e nas encostas verdes de São Mamede, ao castanheiro. É o sinal de que passamos das terras de verões longos e secos para aquelas onde já chega alguma brisa marinha e onde o ar ainda carrega alguma humidade. Se o Guadiana e o Sado, rios quase secos, marcam o sul, aqui já estamos na bacia do Tejo e há muito que as linhas de água do afluente Sorraia foram represadas numa malha de albufeiras que refresca a paisagem e rega as baixas verdejantes.

O Norte Alentejano é uma unidade territorial caracterizada por uma enorme diversidade natural e paisagística, resultado, fundamentalmente, das múltiplas influências de ordem física, biológica e cultural que aqui interagem. São factores, por um lado, característicos da peneplanície alentejana de horizontes abertos e amplos, modelada pela forma extensiva de exploração do solo, e, por outro, típicos das paisagens mais setentrionais, montanhosas e frias. Por entre um variado mosaico de searas, montados, carvalhais, castinçais, olivais, pinhais, eucaliptais, vinhas, hortas e pomares, matos e matagais, bosques ripícolas, cursos de água e albufeiras, ergue-se a majestosa Serra de São Mamede, com as suas imponentes e vigorosas cristas quartzíticas, que é o elemento fulcral e determinante de todo o ambiente natural e cultural do Norte Alentejano.

A Serra de São Mamede
A Serra de São Mamede, corpo central do Parque Natural com o mesmo nome, é um misto diversificado de paisagens, resultado de uma cooperação quase sempre harmoniosa entre o Homem e a Natureza. Por entre a paisagem natural tipicamente serrana, caracterizada por meios rochosos, agrestes e nus, prolifera uma enorme variedade de biótopos e habitats: reside aqui o limite sul de distribuição de muitas espécies e comunidades vegetais tipicamente atlânticas.

Outras paisagens serranas
Para além da Serra de São Mamede, existem outros locais no Norte Alentejano cuja paisagem é dominada pelos elementos geológicos, com uma fisionomia e características próximas das paisagens serranas graníticas. Fazemos aqui referência a dois desse locais: o maciço de Santa Eulália e a região de Póvoa e Meadas.

LOCAIS ACONSELHÁVEIS PARA A PRÁTICA DE TURISMO DE NATUREZA

Aqui destacamos apenas os percursos sinalizados ou organizados por entidades públicas e os locais de uso público para a prática autónoma do Turismo de Natureza, que estão já dotados (ou estarão a curto prazo) de infraestruturas e equipamentos de apoio.

Percursos pedestres do Parque Natural da Serra de S. Mamede
Dispõem de folhetos informativos com a interpretação do percurso e estão sinalizados no terreno. Os pontos de partida e de chegada correspondem a localidades dotadas de cafés e/ou restaurantes, telefone e minimercados:
- Percurso de Esperança - 18 kms. Ponto de partida e de chegada: Esperança. (Arronches)
- Percurso de Marvão - 8 kms. Ponto de partida e de chegada: Portagem. (Marvão)
- Percurso de Galegos - 17 kms. Ponto de partida e de chegada: Galegos. (Marvão)
- Percurso de Carreiras - 10 kms. Ponto de partida e de chegada: Carreiras. (Portalegre / Castelo de Vide)
- Percurso do Reguengo - 10 kms. Ponto de partida e de chegada: Reguengo. (Portalegre).

Percursos Megalíticos
Por iniciativa da Região de Turismo, estão a ser sinalizados e editados os respectivos folhetos de apoio sob a designação "Paisagens Megalíticas do Norte Alentejano". Podem ser feitos de automóvel (alguns troços apenas em viatura 4x4), de bicicleta e a pé.
Conjuntos megalíticos incluídos neste roteiros:
- Ponte de Sor e Avis
- Gavião e Nisa
- Sousel, Fronteira e Monforte
- Portalegre, Arronches e Campo Maior
- Alter do Chão e Crato
- Castelo de Vide e Marvão

Em Elvas, o IPPAR promove dois circuitos arqueológicos em viatura 4x4:
- Circuito do Guadiana
- Circuito de Barbacena


Albufeiras
Têm grande interesse para passeios na natureza, observação da fauna, pesca desportiva e desportos naúticos. A curto e médio prazo, todas serão objecto de planos de ordenamento que definirão os seus usos e infreaestruturas de apoio. Na ausência de sinalização, devem evitar-se os desportos naúticos motorizados.

Albufeira da Barragem do Abrilongo (Arronches). Em construção, enchimento previsto para 2001. Acesso: a partir da povoação de Degolados.
Albufeira da Barragem do Caia (Arronches, Campo Maior, Elvas). Apoios: café e parque de campismo, na zona do paredão. Acessos: estrada Elvas - Campo Maior - Santa Eulália; estrada Arronches - Elvas, desvio para Monte do Baldio.
Albufeira da Barragem do Maranhão (Avis). Apoios: praia fluvial, restaurante, parque de campismo, Clube Náutico. Acesso: sinalizado a partir da vila de Avis.
Nota: Esta albufeira é acessível a partir de várias localidades do concelho de Avis: Benavila, Ervedal, Figueira e Barros e Maranhão. A sinalização correspondente ao Plano de Ordenamento será colocada a curto prazo. Até lá, todas as informações poderão ser obtidas no Clube Naútico de Avis.
Albufeira da Barragem de Póvoa e Meadas (Castelo de Vide). Apoios: infraestruturas para campismo não organizado - instalações sanitárias, água da rede pública, parque de merendas e café. Acesso: sinalizado na estrada Castelo de Vide - Póvoa e Meadas.
Novo circuito de manutenção da Barragem de Póvoa e Meadas. Pista com aprox. 1950m e 8 estações
Albufeira da Barragem de Belver (Gavião). Acesso sinalizado a partir de Gavião e de Belver. Apoios: ver Praia Fluvial do Alamal.
Albufeira da Barragem da Apartadura (Marvão). Acesso sinalizado na estrada Marvão-Portalegre, junto a Alvarrões.
Albufeira da Barragem de Fratel (Nisa). Apoios: unidade de alojamento, restaurante. Acesso: sinalizado a partir de Nisa. Alternativa: IP2 Portalegre-Castelo Branco, que atravessa o paredão.
Açudes das barragens da Racheira e do Poio (Nisa). Acessos: estrada Nisa - Montalvão e Nisa - Póvoa e Meadas, respectivamente.
Albufeira da Barragem de Montargil (Ponte de Sor). Os praticantes de desportos naúticos motorizados devem utilizar prioritariamente o braço de Foros do Mocho. Apoios: unidades de alojamento, parque de campismo, restaurantes, aluguer de equipamento naútico.

Praias fluviais
São agradáveis locais de lazer em zonas ribeirinhas. Algumas encontram-se ainda na fase de projecto:
Praia fluvial do Rio Caia (Arronches). Junto à Piscina Municipal.
Praia fluvial de Mosteiros (Arronches). Na ribeira de Arronches, junto à povoação de Mosteiros. Em projecto.
Praia fluvial da Ribeira de Seda (Crato). Em projecto.
Praia fluvial de Fronteira (Fronteira). Apoios: restaurante, café, sanitários e aluguer de gaivotas. Acesso: estrada Fronteira-Alter do Chão, junto à ponte antiga sobre a Ribeira Grande. Em projecto: recuperação dos Moinhos degradados para fins didáctico-culturais, turísticos e gastronómicos; ecomuseu; sinalização de percursos de natureza.
Praia fluvial do Alamal (Gavião), margem esquerda do rio Tejo, a montante da barragem de Belver. Apoios: sanitários, balneários, primeiros socorros, snack-bar. Percursos pedestres (em vias de sinalização). Centro Aventura do Alamal (centro integrado de lazer, inauguração em Janeiro de 2001). Acesso: sinalizado na estrada Gavião-Belver.
Praia fluvial de Monforte, junto à ponte antiga sobre a Ribeira Grande (Monforte). Acesso: sinalizado a partir de Monforte. Apoios: sanitários, bar, restaurante, parque infantil, parque de estacionamento. Açude em construção.

Outros percursos e zonas de lazer com equipamentos de apoio
Circuito de Manutenção Vitalis (Castelo de Vide), na Serra de S. Paulo. Pista com 2.600 m de extensão, 12 estações com aparelhos e painéis informativos. O percurso constitui, por si só, um agradável passeio pedestre.
Parque de Merendas da Ribeira da Venda, a 2 kms de Comenda (Gavião). Apoios: piscina para crianças, parque de merendas, pista de skate, praia, parque infantil, circuito de manutenção, bar.
Zona Ribeirinha de Ponte Sôr (Ponte de Sor). Apoios: bar-esplanada, piscina, campo de ténis, restaurante. Aluguer de equipamento naútico (gaivotas).
Serra de S. Miguel (Sousel). Acesso: estrada Sousel-Serra de S. Miguel. Caminhos de terra de acesso livre e miradouro (em vias de sinalização turística).

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